eu disse a ela
que minha nova
escova era macia
ela disse
e daí
eu disse
as vezes o prosaico
pode ser interessante
os gatos tem
a língua áspera
mas conseguem o
que querem
com suas
brilhantes
órbitas negras
Para alguém que arrota, sorri por nada e usa muita maquiagem.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
não há pudor em uma cereja
aspirei uma carreira grande
de chocolate com cereja
uma dessas que se
compra junto com
um punhado de beijos
e carícias púbicas
lendo sua carta
ela me comparava a um profeta
eu ri alto
e me imaginei
brincando com meus intestinos
correndo para o sul
deslizando sobre a lama
com passos concêntricos
lamentando o fato de ter sede
e não ter água
diga-me querido espelho
quantos dentes ainda restam
em minha boca
de chocolate com cereja
uma dessas que se
compra junto com
um punhado de beijos
e carícias púbicas
lendo sua carta
ela me comparava a um profeta
eu ri alto
e me imaginei
brincando com meus intestinos
correndo para o sul
deslizando sobre a lama
com passos concêntricos
lamentando o fato de ter sede
e não ter água
diga-me querido espelho
quantos dentes ainda restam
em minha boca
sábado, 16 de julho de 2011
A fada e o urso
Jamais uma floresta
viu um par tão esdrúxulo.
O contraste de suas existências
era um projétil abrasador
contra os conceitos morais
da sociedade das fadas.
E lá, no fundo de sua caverna musgosa
o urso e sua ninfa amante
de asas translúcidas
afundavam-se em uma poça nefasta
de carícias orgíacas.
Ofendidas com o insulto
de sua irmã rebelada,
as fadas uniram toda
a magia branca e negra
de todos os clãs do místico reino.
E num ato de vendeta e fúria
selaram com uma enorme rocha
a entrada da caverna.
Assim os olhos negros e azuis
da fada e do urso
jamais voltaram a ver
o sol.
Para Rebeca Youssef , a progenitora das narrativas insólitas.
viu um par tão esdrúxulo.
O contraste de suas existências
era um projétil abrasador
contra os conceitos morais
da sociedade das fadas.
E lá, no fundo de sua caverna musgosa
o urso e sua ninfa amante
de asas translúcidas
afundavam-se em uma poça nefasta
de carícias orgíacas.
Ofendidas com o insulto
de sua irmã rebelada,
as fadas uniram toda
a magia branca e negra
de todos os clãs do místico reino.
E num ato de vendeta e fúria
selaram com uma enorme rocha
a entrada da caverna.
Assim os olhos negros e azuis
da fada e do urso
jamais voltaram a ver
o sol.
Para Rebeca Youssef , a progenitora das narrativas insólitas.
sábado, 9 de julho de 2011
o fim?
Eu sou o porco obsceno
mais sincero que vai
passar pela tua vida.
Eu vou te olhar
de cima a baixo.
Como um parafuso em transe
Como as cabras transam
Como um mastodonte senil
isolado da manada
e conformado
com a imensidão da morte
e com a desesperança da finitude.
mais sincero que vai
passar pela tua vida.
Eu vou te olhar
de cima a baixo.
Como um parafuso em transe
Como as cabras transam
Como um mastodonte senil
isolado da manada
e conformado
com a imensidão da morte
e com a desesperança da finitude.
sábado, 25 de junho de 2011
amarelo cerveja
Há tanta pressão!
Que procuro minha calma
Em um jardim de presunto.
Observando o gemidos
De quem não fala.
Seu cabelo tinha cheiro de mostarda
E era amarelo como cerveja
Conceitos de uma serpente.
Carne moída de primeira.
Ontem tentei me apaixonar
Impossível!
Comi um xis salada inteiro
Arrotei baixinho
E bati uma pensando na irmã
De meu melhor amigo.
Balearam um prefeito
Ele era gago
Mentiroso
E cagava mais do que devia
Todos queriam ver através
Da neblina de sábado
Mas era tão impossível
Quanto acreditar em suas palavras.
Seis garotas bebiam vinho
Animadas como ovelhas
Esperando para serem tosadas.
Elas me olharam
Interrogando.
Porque um porco
De barba rala
Passava horas escrevendo
Em um bloco bege?
Todos olhando!
Todos olhando!
Não surpreende.
Um morto não devia
Sentar à mesa de um bar
E pedir cerveja.
Um morto não devia
Trocar olhares intumescidos
Para a bunda de suas garotas.
Alguém havia me dito
Que era a espuma que embriagava.
Mas que mentira fudida!
Desculpas de começo de noite.
Meu pau clama
Pelas estudantes de arquitetura
Todas elas,
Todas elas com seus
Canudos de plástico preto.
Existem curvas perigosas.
O amor foi como um
Acidente.
Daqueles que te enchem de rubor.
Até mesmo no silêncio
De seu quarto.
Aquele mesmo quarto
Com meias amareladas
De porra
Dormindo embaixo de sua cama.
Eu imaginava todas
Elas trepando.
Devia ser a síndrome de Bunny
Esbravejando meu púbis.
Dedicamos um carinho
Hipócrita ao ultimo copo.
A última bola que cai
Na caçapa.
A estrofe final de um
Livro de duzentas páginas.
À última bala de banana
Que compramos aos
Dez anos de idade.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Laura
Existem 257 interpretações
para um beijo.
Mas para mim quase
todos eles tem gosto de pipoca.
A pessoa menos interessante
com quem conversei
se chamava Laura.
Laura alguma coisa
Laura bergamota
Laura boca torta
Laura coxa grossa
tanto faz,
só lembro que seus beijos
tambêm tinham
gosto de pipoca.
para um beijo.
Mas para mim quase
todos eles tem gosto de pipoca.
A pessoa menos interessante
com quem conversei
se chamava Laura.
Laura alguma coisa
Laura bergamota
Laura boca torta
Laura coxa grossa
tanto faz,
só lembro que seus beijos
tambêm tinham
gosto de pipoca.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Para mostrar ao velho Camus
Apenas pele inchada
e erupções cutâneas.
Nada além de eco
de seu temor.
Jogue fora essa
caixa de diclofenaco;
o que preciso é de umas
boas três doses de Whisky
para esquentar essa
garganta cansada.
Para tremer os alicerces
do muro que aprisiona
o meu outro,
para mostrar ao velho Camus
minha simpatia pelas suas
inextricáveis interrogações
cotidianas.
e erupções cutâneas.
Nada além de eco
de seu temor.
Jogue fora essa
caixa de diclofenaco;
o que preciso é de umas
boas três doses de Whisky
para esquentar essa
garganta cansada.
Para tremer os alicerces
do muro que aprisiona
o meu outro,
para mostrar ao velho Camus
minha simpatia pelas suas
inextricáveis interrogações
cotidianas.
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