sábado, 11 de dezembro de 2010

Abra seus olhos Sr. M


Sonhei que todos
os meus inimigos
estavam comendo ostras
Sonhos são pequenas
loucuras escondidas
Até as lagartas
guardam segredos
Artistas seguram
máscaras diáfanas
Seja bem vindo
ao baile dos sonhadores

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Isso

Isso não é um poema.

Após sua ida,
Sentei em um vaso por uns 30 minutos;
não era dor de barriga
ou qualquer hemorragia intestinal,
eu apenas sentei,
pensei em ti;
em nossa tarde.
Era eu e um imenso rolo higiênico
de idéias, de papéis, de lembranças.

A chuva baça da primavera ainda caia lá fora,
mais forte do que quando eu segurava sua mão;
mas não mais verdadeira que a embriaguês
de seus beijos vermelhos.
Não esqueça.

Isso não é um poema;
mas poderia ser.

Sexta - feira

Desconfie dos dentistas,
de poetas simpáticos
e dos apresentadores de TV.
Hoje não haverá cervejas,
licores ou venenos.
Dias perfeitos só existem
em canções de Lou Reed.
Pés para o alto
calefação entupida,
Sonhos ridículos
de uma noite
de primavera
ainda não anunciada.
Não estou conformado;
o telefone toca,
antes que eu possa acabar
com as migalhas do meu prato.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Rato

A eterna canção do rato

Que morra!
Eu o desprezo,
eu o temo.
Rogo a todos os
deuses para que cessem
os guinchos dantescos
que sobem pelas paredes.
Mas ele não se cala.
O sangue na boca
começa a se tornar
insuportável.
Eu imagino sua
imagem asquerosa
cada vez que seu
canto atroz atinge
meus ouvidos.
Anseio pelo sono
inexistente de ontem.
Não me incomodo
com segredos e soluços,
grito calado e afundo
o travesseiro em um
transe profano.
Mas a bola de pelos
grotesca continua
sorrindo.
Sinto as ondas do amor
gotejando pela minha testa.
A angústia da impaciência
me afoga sem piedade;
tenho medo de acender
a luz, de beber água
e de fechar os olhos.
Compreendo um pouco
agora a desistência
dos quase mortos.
Me alucino com situações
futuras, possíveis, improváveis
e gloriosas.
Em desespero amargo
procuro compreender
todos os porquês.
Todos de uma só vez.
Me apaixono pela minha
própria arrogância.
Céus, preciso dormir!
Ninguém me escuta;
e como poderia,
não existem ouvidos
onde não existe nada.

Alvorecer

A alvorada chega
e me acalma.
Ela remove toneladas
de dor concentrada.
A alvorada é o meu
chá inesperado,
morno,
e com açúcar.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

As medalhas de Diego

Fiz planos inconcretos,
se pelo menos ainda
tivesse a outra metade
de meu pulmão.
Se ao menos o sol
ainda incidisse sobre a terra;
mas de nada adianta prantear
sob nuvens cinzentas.
A terceira grande guerra
me levou tudo;
exeto por um punhado
de carne cansada que
minha alma ainda habita.
Jamais voltarei a caminhar
sobre essa lavoura de corpos.
Sou um anátema confinado
a uma cadeira flutuante.
Um herói de guerra,
que passa horas olhando
para o alto, segurando
medalhas desbotadas
contra o peito.
E espera paciente pelo
último clarão que rasgando
o céu me fará sorrir
uma última vez.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Você que sabe

É só digitar.
mas falta coragem,
os dedos gangrenaram;
tornaram-se tocos
arroxeados de carne morta.
Podemos aproveitar
para alguma coisa;
botar na sopa;
pendurar na parede;
ou coçar a orelha.
Você que sabe querida.