quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Rato

A eterna canção do rato

Que morra!
Eu o desprezo,
eu o temo.
Rogo a todos os
deuses para que cessem
os guinchos dantescos
que sobem pelas paredes.
Mas ele não se cala.
O sangue na boca
começa a se tornar
insuportável.
Eu imagino sua
imagem asquerosa
cada vez que seu
canto atroz atinge
meus ouvidos.
Anseio pelo sono
inexistente de ontem.
Não me incomodo
com segredos e soluços,
grito calado e afundo
o travesseiro em um
transe profano.
Mas a bola de pelos
grotesca continua
sorrindo.
Sinto as ondas do amor
gotejando pela minha testa.
A angústia da impaciência
me afoga sem piedade;
tenho medo de acender
a luz, de beber água
e de fechar os olhos.
Compreendo um pouco
agora a desistência
dos quase mortos.
Me alucino com situações
futuras, possíveis, improváveis
e gloriosas.
Em desespero amargo
procuro compreender
todos os porquês.
Todos de uma só vez.
Me apaixono pela minha
própria arrogância.
Céus, preciso dormir!
Ninguém me escuta;
e como poderia,
não existem ouvidos
onde não existe nada.

Alvorecer

A alvorada chega
e me acalma.
Ela remove toneladas
de dor concentrada.
A alvorada é o meu
chá inesperado,
morno,
e com açúcar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário