quinta-feira, 6 de junho de 2013

Apologia a Nassar




E para macular a minha passagem pelas planícies desajustadas, cinzentas e cobertas de esterco do meu e de todos os esfíncteres do mundo, irei agora proferir a minha maldição sobre todos aqueles que se ajoelham diante de falsas promessas e ilusões.
As folhas caem e um cheiro de Cheetos sabor queijo se espalha pelas lonjuras de prédios sem brilho e sem alma.
Saudade das Ritalinas, e do tempo passado que teimava em não passar





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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Vinte e quatro metros

A noite despenca como uma cadela dopada. Você caminha desdobrando esquinas e contando lajotas. A vinte e quatro metros de uma igreja evangélica de onde ecoam hinos de louvor, uma prostituta de cabelo oxigenado dança em seu ponto roçando suas coxas grossas e gordas umas contra as outras. Pelotas vive. O mundo é lindo.
 
 
 
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sábado, 25 de maio de 2013

As províncias tão distantes



 Abelhas bestas me indagaram na madrugada. Mojitos, boletas e o bolota, tarde demais para sorrir – belo como tudo é triste, espasmos cutâneos, frases indiretas, meus pêsames pela morte de seus cães. Caim masturbando Abel.
Velociraptors não põem ovos, eles adotam filhotes de iguana. Ao meu ver as convenções humanas devem ser afogadas em grandes tonéis de vinho tinto todas as sextas-feiras.



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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Na beira do canal



O frio me consumia como uma vela
Garças voavam contra o vento
Arregaçando sorrisos de satisfação
Uma porção de arroz com lingüiça
Se dissolvia em minha bolsa estomacal
Sonhava com garotas de bocas vermelhas
E com magrelas ninfetas
De cabelos negros e voz macia
As pedras eram testemunhas mortas
De minha babaquice
Um pato negro congelava
Como minhas bolas sob as cuecas
Minha imaginação era feita
De caos
De palavras distantes
E de manteiga com orégano



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quarta-feira, 17 de abril de 2013

A sensação do infinito



Passei a chamá-la de sensação do infinito
Aqueles momentos breves em que a existência parece realmente valer a pena
Quando as palavras não faltam
E o ar dentro dos pulmões chega a ter um cheiro doce
Quando numa ilusão preponderante os pés parecem se elevar do solo alguns breves centímetros




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sexta-feira, 12 de abril de 2013

vagueando



Respirando atmosferas densas e recheadas pelo cheiro de carne estragada
A palavra delimitadora da finalidade da vida humana
Me assaltou a inconsciência com a brutal força de um orangotango histérico
As cinco letras passaram como tentáculos sulfurosos
A envolver as mais prosaicas coisas que me cercavam
Resolvi então declarar morte
A todos os vagabundos que não tem dinheiro para comprar sua própria canha
Morte aos ventres presos
Morte aos bifes duros do restaurante universitário
Morte aos hipster
Morte ao cheiro ordinário de peixe do mercado publico
Morte aos otários que conversam sobre bicicleta na hora do almoço
Morte aos sonhos de putaria interrompidos por despertadores
Morte as garotas com cara de limão
Morte aos músicos que vendem suas bundinhas sujas por vinte cinco e noventa


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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Entre dois Mundos




As calçadas carecem de mais pétalas caídas
Surtei
surtei e me sinto pleno
Entendo agora 94% dos louco do mundo
Uma casa enorme, muito eco, muito pó
E pequenas bactérias se alimentando de minha sombra
Quero casar com uma cadela de rua e dar à ela um nome de fruta
Para todos os efeitos já não sou mais humano
Algo como um parasita à minha volta me atormenta
Saudade de meus ossos quebrados
O sentido chafurda entre a distorção e o sol de todas as praias
Balanço cabeça e numa convulsão de idéias esparramadas
Vejo a imensidão de praças ocupadas por carnes e girassóis
Surtei
surtei e me sinto pleno



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