terça-feira, 26 de agosto de 2014

Laiza era uma fada




Laiza era uma fada sem perna
Que trocou suas asas por 3 buchas de coca
Encontrei Laiza entre um punhado de sujeira e Lamafedorenta
Sua pele de plástico branquela comovente

uma Fadavadiaingrata de alma nefasta
Laiza tinha dedos compridos e ágeis que usava para fins de auto contentamento

Laiza a fada sem vida
morta entre qualquer lugar entre o nada e a falsa virtude

eu amava Laiza
eu a amava como se ama o vento gelado de agosto batendo na cara
quando atravessamos a porta
numa terça feira depois da chuva




;...

terça-feira, 5 de agosto de 2014

ali onde nascemos



ontem não me bastou
novamente naquele útero silencioso
novamente esquinas sabor tétano
quero gozar e chorar
em poucas horas as ruas milenares de uma Sapiranga parada na doença do tempo
me trouxeram um abraço azedo
uma bêbada velha vila tropeçando em sua longa saia de rosas puídas
derramando farelos de cocaína pela narina direita
sufocando almas cegas debaixo de suas axilas flácidas
em fuga com braçadas largas o antigo novo filho almeja a outra margem
com a certeza de não olhar para trás
a lucidez do homem penetra os dias


 ~;

sexta-feira, 18 de julho de 2014

verdeoliva



Estava vivendo ali
Naquela fonia escandalosa de goteiras
Toneladas de água filtradas pelo meu teto
Num filete uníssono de sal e a melaquequice dos céus
Doce demais para ser mofo
Claro demais para ser suor

Lamentemos a ocasião fúnebre de nosso melancólico encontro
Na esquina da rua dos arvoredos

Desdobrando ondas cerebrais
Encontrando o eczema de nossa nulidade
Os tímpanos sobressaltados
Deslizando pelas cordas rompidas num adeus silêncio
Pelo arco que se esvai

Tudo é uma piada de mel
Cansar de viver o agora
E dormir como um cavalo sedado
Ao som de um céu verdeoliva
arrependido

Não mais





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