sábado, 28 de novembro de 2015

A figura pífia do poeta morre/ São tempos de inutilidade colossal para quem acorda e ainda sonha



Minha mãe trocava minhas fraldas naquele velho olímpico
Ouvi virtualmente de uma menina que não escuto
Em Palmir uma moreninha magrela enche suas narinas de pó
Com sua amiga de curvas violentas
Meu fiel vendedor de vinhos sucumbe ao ostracismo doentio da simples falta
Apenas quero uma garrafa
Um almíscar chamuscado
Aderindo ao núcleo
Amando as penas
Um gole de cada vez
Uma parábola para cada santo
Amando e odiando você
Em pequenos pedaços compostos
De caminhos opostos
Da saliência dos postes
Federemos novamente
A cada manhã



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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Um domo

Enjaulado entre o acrílico bege
Prestes a ejacular sobras periféricas de incapacidades virais
Os sonhos que antes eram contidos em domos fantasiosos agora rompem o lacre da serenidade e se expandem como doença plena
Na previsão do tempo as nebulosidades restringem o concerto final
O urro atávico já não é ouvido

Cede lugar ao gemido apenas sufocado pela transparência do suco que induz aos mais absolutos e lindos erros




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quarta-feira, 6 de maio de 2015

não alimente o monstro!
não alimente ou ele pode lembrar quem ele é
não alimente ou os grunhidos podem ser ensurdecedores guturais
não alimente o monstro
com olhares
com cheiros incandescentes sabor passado
não alimente
para não despertar a fome cuja maldição é sempre devorar mais





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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Solilóquio de verão
Ou
A fauna encantada da inércia

Eu sempre estive no lugar errado
Nos anos mais errados
Refogando o lamento quieto
Pelo verde vizinho do gramado
O senhor câncer
O asqueroso ser contagioso
Que insinua o ultimo abraço
Que apaga diante do vaso
Coração suíno
E uma badtrip-tóxicoalimentar
(amanhã depois da chuva)
A mentira de nossa saliência
Planejo e pestanejo
No meu colchão duro colonizado por ácaros cor esperma vencido
Minha vizinha cozinhando sem sutiã
Apenas um objeto sexualizado diz a menina cara de rato
Me entedio com o abismo
Com o frango empanado sabor alma pinto falecido
O filhote de gatopreto se aninha em minha barba
Digo que não sou seu pai
Ele me ignora
O bloco dos mosquitos cegos
Dobro a esquina
Mastigo remorso sem sal
Com salsicha aferventada
Um pseudo zoológico
Fármaco desastre
Boiando pelos dias
Soporizando pelas ondas
Em chamas paliativas descuidadas
Retorno
Atravesso a noite.


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domingo, 11 de janeiro de 2015

Sílfide


A parafernália dos dias
Batendo em minhas costas como tambor de uma guerra que tira as remelas na trincheira ao lado
Sílfide resmungava tendo um pesadelo logo ali
No descompasso flácido dos ácidos
Na maratona suada dos dias
Nas envergaduras tardias das noites
Que despencam e flutuam em cada passo e tropeço alimentado

Sílfide bebeu minha porra
Eu tomei suas boletas
Boletas sagradas aquelas
Eu e minha cabeça de anjo sabor quimera tropical

Cassoulets no jantar e o ódio do bafo quente de todas as nossas janelas verdes
Ainda assim podemos fumar no jardim
Pinceladas de pindoramas
Ao mundo as cores
E aos nossos olhos a ausência de todas delas




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sábado, 20 de dezembro de 2014

Pezinhos de framboesa



Mais do que nunca hoje a minha merda parecia um feto negro me observando debaixo d’água Pezinhos de framboesa foi embora e deixou seu perfume adocicado no travesseiro Bandas de países gelados são as melhores.
Ela deitava pálida e fedorenta de pica
Amava o celular e as amoras
Dizia palavras amanteigadas e mijava sem sutiã pelo apê descascado
Nunca mais
Na casa dos gatos onde os pelos e as pulgas almiscaram por enredos corroedores
Na priori facultativa de nosso colchão matricídional
As almas de todas as cores falavam em vozes harmonicamente abaladas pelo desfazer de cada sol ou de cada palavra legendada com odor esterco felicidade





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sábado, 15 de novembro de 2014



Minha alma é velha
Me despeço na porta de minha valise condensada
Quero púcaros de salvação
Ouvindo aquela velha musica que faz mais sentido do que meu pau na xota da mãe de todos os meus irmãos
Leva
Eleva
Enleva
Presunção assada com tempero duvidoso
Ontem eu cheguei ao cumulo de me amar
Acordei descobrindo que tudo é mentira
Uma mentirinha fodida
Ou talvez eu diga olá
Ou talvez eu mije na sua cara bem devagar
O calor
Da dúvida
E do posfácio melecado de rancor
Já escrevi merdas melhores
Já duvidei menos ou mais por nada
Sua maçã verde rolando no chão




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