terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

álcool em gel

Convençam as portas
de que elas não passam
de um pretexto do
comodismo racional.
Esperem pela correspondência branca.
Hambúrgueres plastificados
e álcool em gel para matar
os vestígios fecais de
suas mãos.
Abra suas escotilhas
auditivas para escutar
o clube negro dos motoqueiros rebeldes.
Você me encarando
no mercado.
Eu apalpando sua nudez
em meu sofá.

Miasmas

Estou me desmanchando
de ressaca.
Céus, hoje acordei poético
como uma mula arrombada.
Não me negue seu fumo,
vamos brindar as sacolas
de supermercado .

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O amargo churrasco

De tanto serem espancados
os jumentos acabaram
apáticos como o inverno.

Amaria sua filha
de joelhos se ela
me ignorasse.
A rejeição é uma
boca chupadora indecente.

Proclamo agora liberdade
condicional aos ouriços do mar.
Estufo o peito como
um esquilo prestes
a arrotar suas profecias.

Pedindo aos espelhos o
amor de Anabelle Ribeiro
projetei frases ilegíveis
para minha lápide verde.

O amargo churrasco
que eu jamais comi.
Fale comigo vento diluviano.
Toque mais uma vez,
a minha caixa de música chinesa.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

meu balde

Há dois anos atrás criei esse blog. Precisava de algo que servisse como um balde para depositar os meus frêmitos vomitivos; e como não bastava apenas despejar essas injúrias eu ainda nescessitava arremessá-las violentamente contra a face daqueles que aqui adentram.
Obrigado a todos que visitam, que comentam, que espiam com cara de nojo, que gargalham, que desprezam, que lacrimejam, que compreendem, que acham absurdo, que juntamente comigo deitam e rolam na relva abraçados nessa vadia imunda chamada sinceridade.
Dois anos de ASPPIRINA, hoje vou tomar um porre; para comemorar ou para esquecer... De qualquer forma a vida não passa de um punhado de argumentos e desculpas flatulentas para nos entorpecermos todos os dias.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Passagem de fim de tarde

Simplesmente eu
caí em minha cama
e comecei a me decompor
como um cão morto ao sol.
E todas as moscas e larvas
que se juntavam a mim
nesse ritual de passagem biológica,
promoviam oferendas e cânticos
que me confortavam,
como a esponja molhada
que atenua a dor do condenado
ao assento elétrico.
Todos os fluidos agora são vapor,
toda a consciência agora é sonho.
Livros não lidos.
Ruídos esquecidos.
Ouça o eco infindo,
da balsa em que navego.

Enquanto eu mordiscava um pão com carne

Faço piada
com meus defeitos
esse é com certeza
o meu maior defeito.
O mais irônico
dos peixes é aquele
que não sabe nadar.
Se conformem os tolos
Que flutuem as pedras
Nenhum pingo de chuva
é igual ao outro.
Mas afinal de contas
ao término
do intervalo
No overture fondu de nosso rastejar;
que saibamos já agora,
somos apenas água.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A anunciação

Naqueles dias em que
morriam partes de mim
eu me deitava contra o
lençol poeirento, inundando
minhas vestes com aquilo
que um dia eu iria me tornar.
No anunciar das noites
eu ingeria plantas sativas
escutando músicas que
se dividiam em
múltiplas camadas de
tons definidos e incorrigíveis.
Naqueles dias,
eu amava a mim mesmo,
já que não compreendia,
aquela que um dia ainda viria
a amar.