sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O gesto simbólico do messias dilatado



Segundo relatos
Ontem perdi a função da fala
Me comunicava apenas por gestos
Acordei em posição fetal
Vestido
E com a porta aberta
Em meu colchão ghosmento de pós afazia
Duas pérolas para o altar
A garota da toalha assim disse
Se morrer hoje ou amanhã
Sem ganhar um mísero puto com tudo isso
Terei a certeza que despertei a cada dia
Com um gênio
Um simbionte corrosivo e lamacento
Se entranhando em cada partícula flácida
do cadáver pouco comunicativo
desse interlocutor pluviométrico
deus escrevendo um poema na chuva
todo esse espasmo nada modesto de contemplação e asma
nada mais é do que uma irreversível e poderosa vontade
de projetar gases pelo meu esfíncter retro intestinal
e de lembrar de qualquer retalho dessa colcha fabulosa chamada
noite anterior.



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Sobre um certo colapso de gelo
Mesmo em meio a toda aridez daquelas 9 quadras
O filho perdido de uma ninhada extinta
Ouviu ao longe o som metálico da lira do delírio
Chamuscado por anseios decadentes
A tentação das ostras
O tremular de seus pêlos por um vento ancestral
Jamais havia sido tão esperado
Quanto naquele fim de tarde borrado
Alimentado por mãos e tetas nuas
E corrompido pelo ato de queimar a cada novo dia.




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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Laiza era uma fada




Laiza era uma fada sem perna
Que trocou suas asas por 3 buchas de coca
Encontrei Laiza entre um punhado de sujeira e Lamafedorenta
Sua pele de plástico branquela comovente

uma Fadavadiaingrata de alma nefasta
Laiza tinha dedos compridos e ágeis que usava para fins de auto contentamento

Laiza a fada sem vida
morta entre qualquer lugar entre o nada e a falsa virtude

eu amava Laiza
eu a amava como se ama o vento gelado de agosto batendo na cara
quando atravessamos a porta
numa terça feira depois da chuva




;...

terça-feira, 5 de agosto de 2014

ali onde nascemos



ontem não me bastou
novamente naquele útero silencioso
novamente esquinas sabor tétano
quero gozar e chorar
em poucas horas as ruas milenares de uma Sapiranga parada na doença do tempo
me trouxeram um abraço azedo
uma bêbada velha vila tropeçando em sua longa saia de rosas puídas
derramando farelos de cocaína pela narina direita
sufocando almas cegas debaixo de suas axilas flácidas
em fuga com braçadas largas o antigo novo filho almeja a outra margem
com a certeza de não olhar para trás
a lucidez do homem penetra os dias


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